Maria Delfina Farias
Pesquisa reduz participação da pobreza na indução ao crime em adolescentes.
Família desajustada é mais determinante
Baixa renda é sempre considerada um grande, talvez o principal, fator de risco para um adolescente aderir à criminalidade. Mas um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que esse estereótipo pode ser um engano. Verificou-se que problemas familiares como a separação dos pais ou a presença de alguma psicopatologia (problemas mentais) em algum parente próximo está muito mais relacionado a adolescentes infratores do que a pobreza. A pesquisa foi coordenada pela psicóloga Maria Delfina Farias, da Unifesp, e divulgada pelo Jornal da Paulista. Maria Delfina é especializada em violência doméstica e psicóloga do Tribunal de Justiça de Santos (SP). Ela foi orientada em sua pesquisa por Edwiges de Mattos Silvares.
Para a pesquisa, foram realizadas entrevistas com 40 menores entre 12 e 18 anos, divididos em dois grupos, um de infratores, e outro de pacientes de um serviço especializado em atendimento médico e psicológico. Do total de entrevistados, 17 eram infratores que respondiam processos na Justiça na cidade de Santos e os outros 23 eram atendidos pelo Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente (CAAA), da Unifesp. Além dos adolescentes, foram entrevistados seus pais. Concluiu-se que não havia diferença significativa de renda entre os grupos. Porém, os adolescentes infratores mostraram muito mais problemas familiares, o que levou Maria Delfina a considerar pouco importante a questão da renda como fator determinante do ingresso na marginalidade. A renda familiar mais alta entre os não-infratores foi de 20 salários-mínimos, enquanto a renda familiar mais alta entre os infratores foi de 40 salários mínimos.
Verificou-se também que a maioria das famílias de infratores não era mais constituída por pai e mãe (só 29,4% era biparentais, ou seja, lideradas por um casal). Entre os não infratores, 73,9% das famílias eram biparentais. Entre os infratores também foi maior a incidência de casos de psicopatologia no lar (35,3%), incidência que não foi tão alta entre os não-infratores (8,7%).
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